Encontro Público Reflete Compromisso Social
Na última quarta-feira (24), a Câmara Municipal de Sorocaba promoveu uma audiência pública dedicada à discussão sobre estratégias e políticas para a prevenção do trabalho infantil, abordando o tema “Entre a Oportunidade e a Exploração: Trabalho Infantil, Estágios Irregulares e os Desafios da Proteção Integral de Crianças e Adolescentes”. A convocação desse evento foi realizada pelo presidente da Câmara, Luis Santos, em virtude do Mês de Combate ao Trabalho Infantil, que é celebrado neste mês de junho, sob a égide da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O evento contou com a participação de diversas autoridades e especialistas, como o desembargador João Batista Martins César do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, o juiz Valdir Rinaldi da 4ª Vara do Trabalho de Sorocaba e o promotor Edson Beas Rodrigues do Ministério Público do Trabalho. Esses representantes abordaram as dificuldades e as obrigações que o poder público enfrenta na luta contra o trabalho infantil.
Dados e Estatísticas Sobre Trabalho Infantil
Durante o evento, a assistente de gestão da Secretaria de Cidadania, Rita Souza, apresentou dados alarmantes sobre o trabalho infantil em Sorocaba. Com uma população de aproximadamente 160 mil moradores com idade até 17 anos, Rita enfatizou a importância da atuação integrada entre diferentes órgãos, como a Secretaria de Educação e os Conselhos Tutelares. A apresentadora destacou que o trabalho infantil está intrinsecamente ligado à pobreza e à vulnerabilidade social, apontando que para enfrentar essa problemática é necessário olhar para a criança como um todo, considerando sua família e o ambiente em que vive.

Em 2026, foram realizadas 117 ações de abordagem a jovens em situação de risco, uma diminuição quando comparada aos 218 registros do ano anterior. Esses dados foram trazidos à tona como um indicativo da necessidade de redobrar esforços coletivos na luta contra essa prática nociva.
Importância das Políticas de Proteção
Fernando Marques, secretário municipal de Educação, compartilhou que em 2026, aproximadamente 700 atendimentos protetivos foram realizados em situações que englobavam denúncias de evasão escolar e outras restrições de direitos. Ele fez referência ao compromisso da prefeitura em acompanhar de perto a situação das crianças, garantindo que tenham acesso pleno a seus direitos fundamentais. Essa integração de esforços é vital para assegurar que as crianças em Sorocaba não sejam apenas protegidas, mas também tenham oportunidades reais de desenvolvimento e educação.
Desafios no Combate ao Trabalho Infantil
O juiz Valdir Rinaldi enfatizou um dos principais desafios enfrentados na prevenção do trabalho infantil: a utilização inadequada de estágios. Segundo ele, as vagas de estágio, que deveriam servir como uma porta de entrada para o mercado de trabalho, têm se tornado uma forma de exploração da mão de obra juvenil. “O estágio deve ser uma ferramenta de aprendizado e capacitação, e não uma alternativa para a exploração laboral de jovens”, ressaltou Rinaldi, alertando sobre a necessidade de fiscalizar e regular as práticas de estágio.
O Papel do Ministério Público do Trabalho
O procurador Edson Beas Rodrigues abordou a importância de assegurar que crianças e adolescentes tenham a chance de desenvolver um Projeto de Vida. O investimento em educação de qualidade é fundamental para que jovens possam construir seus próprios caminhos, mesmo diante de adversidades financeiras. Rodrigues destacou que o Brasil possui um arcabouço legal robusto, porém ainda enfrenta desafios na efetivação dos direitos fundamentais das crianças. A defesa da educação e a vigilância sobre práticas laborais abusivas são essenciais no trabalho do Ministério Público.
Fiscalização de Estágios e Exploração
A discussão tocou na questão de que a exploração disfarçada de estágios representa uma violação direta dos direitos dos adolescentes. Rinaldi frisou que uma boa prática de estágio é aquela que contribui para a formação do jovem, gerando benefícios tanto para ele quanto para as empresas. As empresas têm a responsabilidade social de formar sua futura mão de obra, e é crucial que não se utilize de artifícios para disfarçar a exploração laboral.
Integração de Órgãos Públicos
O desembargador João Batista Martins César contribuiu ao debate destacando que a temática do trabalho infantil está atrelada à questão da desigualdade social. Ele mencionou que a erradicação do trabalho infantil exige a implementação de políticas de transferência de renda eficazes. “As políticas públicas devem estar sintonizadas e funcionando em harmonia, como um mecanismo bem ajustado. Isso inclui a responsabilidade da Câmara em garantir que haja orçamento necessário para todas as ações na rede de proteção às crianças em nossa cidade”, enfatizou.
Experiências de Ação em Sorocaba
Ao longo do encontro, diversos representantes de instituições apresentaram suas experiências e iniciativas para combater o trabalho infantil em Sorocaba. O professor Luis Henrique Fiusa, do Senac, destacou o Programa Jovem Aprendiz, que visa inserir adolescentes no mercado de trabalho de forma segura e normativa. Essa iniciativa é resultado de parcerias com a Secretaria de Relações do Trabalho e Qualificação Profissional, com o intuito de estimular a formação profissional direcionada ao público jovem.
Iniciativas de Qualificação Profissional
Os desafios da inclusão produtiva de adolescentes foram um tema central abordado por Giovania Maciel, líder social do Instituto Técnico Educacional Miriam Menchini. Ela apresentou como sua instituição tem contribuído para a transição de jovens em vulnerabilidade social ao mercado de trabalho, reafirmando a importância da educação e da qualificação profissional na construção de um futuro diferente.
O Futuro das Crianças em Sorocaba
O vereador Izídio de Brito enfatizou a necessidade de integrar esforços entre diferentes instâncias do poder público para garantir oportunidades para os jovens. A proposta de criar fóruns permanentes de discussão busca unir todos os atores relevantes em um esforço colaborativo para enfrentar e resolver problemas como o trabalho infantil. Ao fim de sua intervenção, Luiz Santos reiterou a urgência da reflexão não apenas sobre os direitos, mas sobre a conscientização dos jovens para que possam usufruir de suas garantias e direitos plenamente.


